O Que Fazer com o Reembolso do IRS?
As 4 Melhores Formas de Utilizar o Dinheiro
Receber um reembolso do IRS sabe sempre bem. No entanto, aquilo que fazes com esse dinheiro pode ter um impacto muito maior do que imaginas. Descobre os erros mais comuns e as melhores estratégias para aproveitares o teu reembolso.
Introdução
Todos os anos, milhares de portugueses recebem um reembolso do IRS. Para muitas pessoas, esse dinheiro transforma-se rapidamente em férias, um telemóvel novo ou outras compras por impulso.
No entanto, existe uma forma muito mais inteligente de olhar para este dinheiro. O reembolso do IRS não é um prémio nem dinheiro extra. É simplesmente dinheiro que sempre foi teu e que agora regressa à tua conta.
Neste artigo vais descobrir porque é que tantas pessoas desperdiçam esta oportunidade e quais são as quatro melhores formas de utilizar o teu reembolso para melhorares a tua situação financeira.
O reembolso do IRS não é um prémio
Existe uma ideia muito comum de que receber um reembolso é motivo de celebração. Na realidade, significa apenas que ao longo do ano pagaste mais imposto do que aquele que efetivamente devias.
Depois de entregares a declaração de IRS, a Autoridade Tributária calcula o valor correto do imposto e devolve-te a diferença.
O reembolso do IRS não aumenta o teu património. Apenas devolve dinheiro que já era teu.
Isto não significa que receber reembolso seja necessariamente mau. Muitas pessoas preferem fazê-lo porque evita a possibilidade de terem de pagar uma quantia elevada quando entregam a declaração.
O importante é perceberes que este dinheiro deve ser tratado exatamente da mesma forma que tratarias qualquer outra poupança tua.
Porque é que gastamos tão facilmente o reembolso?
A resposta está na psicologia.
Existe um conceito da economia comportamental chamado contabilidade mental (mental accounting), que explica porque tratamos diferentes tipos de dinheiro de forma diferente.
O salário costuma servir para pagar contas. Já um bónus, uma herança ou um reembolso parecem dinheiro "extra", mesmo quando não o são.
Como o reembolso do IRS chega de uma só vez, é muito fácil cair na tentação de fazer uma compra que nunca estava realmente planeada.
Antes de gastares o teu reembolso, faz uma pergunta simples: "Se este dinheiro já estivesse na minha conta desde janeiro, faria exatamente a mesma compra?"
Na maioria dos casos, a resposta será "não". E é precisamente por isso que vale a pena pensar antes de gastar.
O que nunca deves fazer com o reembolso do IRS
Como este dinheiro sempre foi teu, não faz sentido tratá-lo como se tivesses ganho a lotaria.
Algumas utilizações tendem a destruir valor em vez de melhorar a tua situação financeira.
- Fazer compras por impulso, apenas porque entrou dinheiro na conta.
- Trocar de telemóvel, televisão ou automóvel sem necessidade real.
- Fazer férias não planeadas recorrendo ainda a crédito.
- Investir em ativos muito arriscados sem primeiro teres uma base financeira sólida.
- Deixar o dinheiro parado durante meses sem qualquer objetivo definido.
Então... qual é a melhor forma de utilizar este dinheiro?
Existem quatro opções que, para a maioria das pessoas, fazem muito mais sentido do que qualquer compra impulsiva.
1. Criar ou reforçar o Fundo de Emergência
Se ainda não tens um fundo de emergência, esta deve ser a tua primeira prioridade.
Um fundo de emergência existe para proteger o teu património quando surgem despesas inesperadas, como uma avaria no carro, um eletrodoméstico que deixa de funcionar ou uma despesa médica.
Sem essa reserva, muitas pessoas acabam por recorrer ao cartão de crédito ou a créditos pessoais, pagando juros elevados por uma situação que poderia ter sido evitada.
O melhor momento para preparar uma emergência é antes de ela acontecer.
Se o teu reembolso do IRS te permitir começar ou aumentar essa reserva, já estará a contribuir para uma maior estabilidade financeira no futuro.
2. Eliminar dívidas com juros elevados
Se tens cartão de crédito, crédito ao consumo ou compras em prestações, amortizar essas dívidas é, na maioria dos casos, uma das melhores utilizações possíveis para o teu reembolso.
Sempre que eliminas uma dívida com juros elevados, estás a obter um retorno garantido equivalente aos juros que deixas de pagar.
Imagina que compraste um telemóvel de 1.000€ através de um crédito ao consumo com uma taxa de 10,75% e um prazo de três anos.
No final do contrato, esse telemóvel terá custado cerca de 1.174€, dos quais aproximadamente 174€ correspondem apenas a juros.
Se receberes um reembolso de IRS de 1.000€ e utilizares esse dinheiro para liquidar a dívida, não estás apenas a pagar o valor em falta. Estás também a evitar todos esses juros futuros.
Eliminar uma dívida com juros elevados é um dos poucos "investimentos" que oferece um retorno garantido e sem risco.
3. Poupar para a entrada de uma casa
Se o teu objetivo é comprar casa nos próximos anos, o reembolso do IRS pode acelerar significativamente esse plano.
Muitas pessoas conseguem poupar algum dinheiro todos os meses, mas esquecem-se de aproveitar entradas extraordinárias, como o reembolso do IRS, para aproximar esse objetivo.
Imagina que precisas de 20.000€ para a entrada de uma casa.
Se poupares apenas 100€ por mês, vais demorar mais de 16 anos a atingir esse valor.
No entanto, se juntares também um reembolso anual de cerca de 1.000€, esse tempo pode reduzir-se para aproximadamente 9 anos.
Pequenas decisões consistentes têm um impacto muito maior do que parece quando são repetidas ao longo de vários anos.
4. Investir para o longo prazo
Se já tens um fundo de emergência e não tens dívidas com juros elevados, então pode fazer sentido colocar esse dinheiro a trabalhar por ti.
Existem várias formas de investir, mas uma estratégia simples e diversificada passa por utilizar fundos de índice ou ETFs globais, que permitem investir em milhares de empresas através de um único produto financeiro.
Naturalmente, nenhum investimento está isento de risco e este artigo não constitui uma recomendação financeira. O mais importante é compreenderes aquilo em que estás a investir antes de aplicares o teu dinheiro.
Mas investir não significa apenas aplicar dinheiro nos mercados financeiros.
Investir numa certificação, numa formação, em livros ou em competências que aumentem o teu rendimento futuro pode revelar-se um dos investimentos mais rentáveis que alguma vez farás.
O melhor investimento é aquele que melhora a tua capacidade de gerar riqueza no futuro.
Conclusão
Receber um reembolso do IRS pode parecer um pequeno acontecimento, mas a forma como utilizas esse dinheiro pode ter um impacto significativo nas tuas finanças ao longo dos anos.
Em vez de o tratares como dinheiro inesperado, encara-o como aquilo que realmente é: património teu que regressou à tua conta.
Antes de fazeres uma compra por impulso, pergunta-te:
"Este dinheiro vai melhorar apenas o meu presente ou também o meu futuro?"
Para algumas pessoas, a melhor decisão será criar um fundo de emergência. Para outras, será eliminar dívidas, acelerar a compra de uma casa ou começar a investir.
Não existe uma resposta universal. O importante é que o teu reembolso contribua para aumentar o teu património e a tua tranquilidade financeira, em vez de desaparecer em despesas que pouco acrescentam à tua vida.
Perguntas Frequentes
O reembolso do IRS é um rendimento extra?
Não. O reembolso corresponde ao imposto que pagaste a mais durante o ano e que agora te é devolvido após a liquidação do IRS.
Vale a pena utilizar o reembolso para pagar dívidas?
Na maioria dos casos, sim. Se tens dívidas com juros elevados, como cartões de crédito ou créditos ao consumo, amortizá-las pode proporcionar uma poupança significativa em juros futuros.
Devo investir o reembolso do IRS?
Investir pode ser uma excelente opção, desde que já tenhas um fundo de emergência e não possuas dívidas com juros elevados. Antes de investir, garante que compreendes os riscos dos produtos financeiros escolhidos.
Qual é a melhor utilização para o reembolso do IRS?
Depende da tua situação financeira. Regra geral, a prioridade deve ser: criar um fundo de emergência, eliminar dívidas caras, poupar para objetivos importantes e, por fim, investir para o longo prazo.
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